Arquitetura
por Henrique J. Paris

Installation view, My Labor Is My Protest, White Cube Bermondsey, London, 2012. Courtesy White Cube.
https://www.theastergates.com/exhibitions/my-labor-is-my-protest?view=slider#2
ver também: Corpo, Desenho, Espacialidade
De modo básico a arquitetura nos presta serviço através de gestos complexos — a curadoria dos vários olhares, andares, caminhos, formações e informações que se desdobram nos inúmeros tempos em que existimos. À redores, entre, no interior e sobre etc.. arquiteturas portanto funcionam como fusos para possibilidades de performatividade & coreografias de espacialidade; exaltadas pelas regras duma cidade e no caso atual, o estado nação opressivo em que nela inserida (cidade): quem nomeia as ruas, quem conduz subjetividades nos teatros e quem decide os objectos que se monumentalizam, são exercícios de poder orquestrados.
Enquanto o poder se re-direciona pra quem constrói as estradas do quotidiano moldando o vazio dos espaços públicos e poeiras das bibliotecas. A historia se atualiza e que possamos conjugar as próprias semânticas do ‘poder’ no contexto da arquitetura enquanto pratica — a arquitetura anárquica talvez? Ou simplesmente praticas espaciais criticas de ótica ANTI-COLONIAL para pensar o ramo em si (enquanto pratica). Agreguemos o valor da reciprocidade no direito da própria arquitetura e prestemos serviço de volta ao verdadeiro tamanho do que ela é: pois a partir das escrevivências ( de quem pode com cuidado e detalhe) haveremos de acentuar olhares, andares, caminhos, formações e informações mais férteis.
Nos monumentos, documentos, artefactos ou nos prédios, a nossa função nunca será só deixar que arquiteturas projectem sobre os nossos corpos; arquiteturas de facto nos convidam a participar…desconstruindo a regar e colhendo novas orientações para que entendamos sua essência fundamental; na canalização do que é efémero, físico e/ou existente..nas estruturas preexistentes.
Bibliografia:
Fee, Maria. (2023). Beauty Is a Basic Service: Theology and Hospitality in the Work of Theaster Gates. Fortress Press.
Glissant, É., & Wing, B. (1997). Poetics of relation. University of Michigan Press.
Oliveira, N. P. de ., Pedroza, R. L. S., & Pulino, L. H. C. Z.. (2023). Escrevivências: possibilidades para uma educação antirracista. Revista Brasileira De Educação.
Wayne Fields, Darell. (2015) Architecture in Black : Theory, space, and appearance. Bloomsbury Publishing.


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Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT – Fundação Para a Ciência e a tecnologia I.P., no âmbito do projeto «CEECIND.2021.02636».